Irmãs Vicentinas

27 DE NOVEMBRO DIA DA MEDALHA MILAGROSA
No mês de novembro a Congregação das Irmãs Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo comemora três datas importantes para a Congregação: no dia 27/11 dia da Medalha Milagrosa, 28/11 Santa Catarina Labouré e 29/11 Fundação da Companhia da Filhas da Caridade (Congregação).
"Venha ao pé deste altar. Aqui serão derramadas graças sobre todos os que as pedirem".

SANTA CATARINA LABOURÉ

Santa Catarina Labouré     Catarina Labouré, veio ao mundo em 1806, na província francesa da Borgonha, sob o céu de Fain-les-Moutiers, onde seu pai possuía uma fazenda e outros bens. Aos nove anos perdeu a mãe, pessoa de espírito cultivado e alma nobre, e de um heroísmo doméstico exemplar. Abalada pelo rude golpe, desfeita em lágrimas, Catarina abraça uma imagem da Santíssima Virgem e exclama: "De agora em diante, Vós sereis minha mãe!" Nossa Senhora não decepcionará a menina que se entregava a Ela com tanta devoção e confiança. A partir de então, adotou-a como filha dileta, alcançando-lhe graças superabundantes que só fizeram crescer sua alma inocente e generosa.


Primeira aparição de Nossa Senhora


 Desde a sua entrada no convento da rue du Bac, Catarina Labouré foi favorecida por numerosas visões: o Coração de São Vicente, Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento, o Cristo Rei e a Santíssima Virgem. Apesar da importância das outras aparições, devemos nos deter nas da Rainha Celestial. A primeira teve lugar na noite de 18 para 19 de julho de 1830, data em que as Filhas da Caridade celebram a festa de seu santo Fundador. A Madre Marta nos falara sobre a devoção aos santos, em particular sobre a devoção à Santíssima Virgem - o que me deu desejo de vê-La - e me deitei com esse pensamento: que nessa noite mesmo, eu veria minha Boa Mãe. Enfim, às onze e meia da noite, ouvi alguém me chamar e me convidar: levantai-vos depressa e vinde à Capela! A Santíssima Virgem vos espera. Logo me veio o pensamento de que as outras irmãs iam me ouvir. Mas, o menino me disse: Ficai tranqüila, são onze e meia; todas estão profundamente adormecidas. Vinde! Eu vos espero. Vesti-me depressa e me dirigi para o lado do menino, que permanecera de pé sem se afastar da cabeceira de meu leito. Eu o segui. Sempre à minha esquerda, ele lançava raios de claridade por todos os lugares onde passávamos, nos quais os candeeiros estavam acesos, o que muito me espantava. Porém, muito mais surpresa eu fiquei ao entrar na capela: logo que o menino tocou a porta com a ponta do dedo, ela se abriu. E meu espanto foi ainda mais completo quando vi todas as velas e castiçais acesos, o que me recordava à missa de meia-noite. Entretanto, eu não via a Santíssima Virgem. O menino me conduziu para dentro do santuário, até o lado da cadeira do diretor espiritual*. Ali me ajoelhei, enquanto o menino continuou de pé. Por fim, chegou o momento. O menino me alertou, dizendo:
Eis a Santíssima Virgem! Ei-La!
Nesse instante, Catarina ouve um ruído, como o frufru de um vestido de seda, vindo do alto da galeria. Levanta os olhos e vê uma senhora com um traje cor de marfim, que se prosterna diante do altar e vem se sentar na cadeira do Padre Diretor. A vidente estava na dúvida se Aquela era Nossa Senhora. O menino, então, não mais com timbre infantil, mas com voz de homem e em tom autoritário, disse: Eis a Santíssima Virgem! A Irmã Catarina recordaria depois: Dei um salto para junto d'Ela, ajoelhando-me ao pé do altar, com as mãos apoiadas nos joelhos de Nossa Senhora... Ali se passou o momento mais doce de minha vida. Ser-me-ia impossível exprimir tudo quanto senti. E a Santidade me falou sobre todas as calamidades que iria abalar a França.


Segunda aparição: a Medalha Milagrosa

     Quatro meses transcorreram desde aquela prodigiosa noite em que Santa Catarina contemplara pela primeira vez a Santíssima Virgem. Na inocente alma da religiosa cresciam as saudades daquele bendito                                                                     encontro e o desejo intenso de que lhe fosse concedido de novo o augusto favor de rever a Mãe de Deus. E foi atendida.
Medalha 2Era 27 de novembro de 1830, sábado. Às cinco e meia da tarde, as Filhas da Caridade encontravam-se reunidas na sua capela da Rue Du Bac, Paris, para o costumeiro período de meditação. Reinava perfeito silêncio nas fileiras das Irmãs e noviças. Como as demais, Catarina se mantinha em profundo recolhimento. De súbito... Pareceu-me ouvir, do lado da galeria, um ruído como o frufru de um vestido de seda. Tendo olhado para esse lado, vi a Santíssima Virgem à altura do quadro de São José. De estatura média, sua face era tão bela que me seria impossível dizer sua beleza. A Santíssima Virgem estava de pé, trajando um vestido de seda branco-aurora, feito segundo o modelo que se chama à la Vierge, mangas lisas, com um véu branco que Lhe cobria a cabeça e descia de cada lado até embaixo. Sob o véu, vi os cabelos repartidos ao meio, e por cima uma renda de mais ou menos três centímetros de altura, sem franzido, isto é, apoiada ligeiramente sobre os cabelos. O rosto bastante descoberto, os pés pousados sobre uma meia esfera. Nas mãos, elevadas à altura do estômago de maneira muito natural, Ela trazia uma esfera de ouro que representava o globo terrestre. Seus olhos estavam voltados para o Céu... Seu rosto era de uma incomparável formosura. Eu não saberia descrevê-lo...
De repente, percebi em seus dedos anéis revestidos de belíssimas pedras preciosas, cada uma mais linda que a outra, algumas maiores, outras menores, lançando raios para todos os lados, cada qual mais estupendo que o outro. Das pedras maiores partiam os mais magníficos fulgores, alargando-se à medida que desciam, o que enchia toda a parte inferior do lugar.
Nesse momento, quando eu estava contemplando a Santíssima Virgem, Ela baixou os olhos, fitando-me. E uma voz se fez ouvir no fundo de meu coração, dizendo estas palavras: - A esfera que vês representa o mundo inteiro, especialmente a França... E cada pessoa em particular... Não sei exprimir o que senti e o que vi nesse instante: o esplendor e a cintilação de raios tão maravilhosos...
- Estes (raios) são o símbolo das graças que Eu derramo sobre as pessoas que mas pedem - acrescentou Nossa Senhora, fazendo-me compreender quão agradável é rezar a Ela, quanto Ela é generosa para com seus devotos, quantas graças concede às pessoas que Lhas rogam, e que alegria Ela sente ao concedê-las.
- Os anéis dos quais não partem raios (dirá depois a Santíssima Virgem), simbolizam as graças que se esquecem de me pedir.
Nesse momento formou-se um quadro em torno de Nossa Senhora, um pouco oval, no alto do qual estavam as seguintes palavras: "Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós", escritas em letras de ouro.
Uma voz se fez ouvir então, dizendo-me: - Fazei cunhar uma medalha conforme este modelo. Todos os que a usarem, trazendo-a ao pescoço, receberão grandes graças. Estas serão abundantes para aqueles que a usarem com confiança...
MedalhaNesse instante, o quadro me pareceu girar e vi o reverso da medalha: no centro, o monograma da Santíssima Virgem, composto pela letra "M" encimada por uma cruz, a qual tinha uma barra em sua base. Embaixo figuravam os Corações de Jesus e de Maria, o primeiro coroado de espinhos, e o outro, transpassado por um gládio. Tudo desapareceu como algo que se extingue, e fiquei repleta de bons sentimentos, de alegria e de consolação.


Terceira aparição de Nossa Senhora


Passado alguns dias, em dezembro de 1830, Nossa Senhora apareceu pela terceira e última vez a Santa Catarina. Como na visão anterior, Ela veio no período da meditação vespertina, fazendo-se preceder por aquele característico frufru de vestido de seda. Dali a pouco, a vidente contemplava a Rainha do Universo, em seu traje cor da aurora, revestida do véu branco, segurando novamente um globo de ouro encimado por uma pequena cruz. Dos anéis ornados de pedras preciosas jorra, com intensidades diversas, a mesma luz, radiosa como a do sol. Contou depois Santa Catarina: É impossível exprimir o que senti e compreendi no momento em que a Santíssima Virgem oferecia o Globo a Nosso Senhor. Como estava com a atenção voltada em contemplar a Santíssima Virgem, uma voz se fez ouvir no fundo de meu coração: Estes raios são símbolo das graças que a Santíssima Virgem obtém para as pessoas que Lhas pedem. Estava eu cheia de bons sentimentos, quando tudo desapareceu como algo que se apaga. E fiquei repleta de alegria e consolação...
Convido a todos aqueles que desejam conhecer mais sobre as Aparições de Nossa Senhora das Graças a Santa Catarina Labourè, a visitar o site da Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo e poderão contemplar uma historia de amor e espiritualidade Mariana.

Irmã Henez Murbach – Filha da Caridade.

 

 

 

27 DE SETEMBRO - SÃO VICENTE DE PAULO – FUNDADOR DAS IRMÃS FILHAS DAS CARIDADE.

Foto São Vicente

     Vicente de Paulo foi, realmente, uma figura extraordinária para a humanidade. Pertencia a uma família pobre, de cristãos dignos e fervorosos. Nasceu em Pouy, França, no dia 24 de abril de 1581, na aldeia Pouy, sul da França, foi batizado no mesmo dia de seu nascimento. Era o terceiro filho do casal João de Paulo (Jean de Paul) e Bertranda de Moras, camponeses profundamente católicos. Seus seis filhos receberam o ensino religioso em casa através da mãe. Na infância, foi um simples guardador de porcos e ovelhas, o que não o impediu de ter uma brilhante ascensão na alta Corte da sociedade de sua época. Desde cedo se destacou pela notável inteligência e devoção.

     Fez seus primeiros estudos em Dax, onde, após 4 anos, tornou-se professor. Isto lhe permitiu concluir os estudos de teologia na Universidade de Toulouse. Foi ordenado sacerdote, aos dezenove anos, em 23 de setembro de 1600, antes de ser capelão da rainha Margarida de Valois, ficou preso durante dois anos nas mãos dos muçulmanos. O mais curioso é que acabou sendo libertado pelo seu próprio "dono", que, ao longo desse período, Vicente conseguiu converte-lo ao cristianismo. Sua piedade heróica conferiu-lhe o cargo de Capelão Geral e Real da França.

     Todos o admiravam e o respeitavam: do cardeal Richelieu à rainha Ana da Áustria, além do próprio rei Luís XIII, que fez questão absoluta de que Vicente de Paulo estivesse presente no seu leito de morte. Mas os merecedores da piedade e atenção de Vicente de Paulo eram mesmo os pobres, os menos favorecidos, que sofriam as agruras da miséria. Quando Mazarino, em represália às barricadas erguidas pela França, quis fazer o país entregar-se pela fome, Vicente de Paulo organizou, em São Lázaro, uma mesa popular para servir, diariamente, refeições a duas mil pessoas pobres e famintas.

     Quando convenceu o regente francês de que o povo sofria por falta de solidariedade e de pessoas caridosas para estenderem-lhe as mãos, o rei, imediatamente, nomeou-o para ser o ministro da Caridade. Com isso, organizou um trabalho de assistência aos pobres em escala nacional. Fundou e organizou quatro instituições voltadas para a caridade: a "Confraria das Damas da Caridade", os "Servos dos Pobres", a "Congregação dos Padres da Missão", conhecidos como padres Lazaristas, em 1625, para evangelização do "pobre povo do interior". Num apelo que o padre Vicente fez durante sermão em Châtillon, nasceu o movimento das Senhoras Damas da Caridade (Confraria da Caridade),        A primeira irmã de caridade foi à camponesa Margarida Naseau, que contou com a orientação de Santa Luísa de Marillac e que, mais tarde, estabeleceu a Confraria das Irmãs da Caridade, em 1633, atuais Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo. De apenas quatro irmãs no começo, a Congregação conta, hoje, com milhares delas, representadas em mais de 60 países. Foi também ele o responsável pela organização de retiros espirituais para leigos e sacerdotes, através das famosas conferências das terças-feiras (Confraria de Caridade para homens).
     Este homem prático, firme, dotado de senso de humor, simples como um camponês e, sobretudo, realista e humilde, que dizia aos sacerdotes de São Lazaro: "Amemos a Deus, irmãos meus, mas o amemos às nossas custas, com as forças dos nossos braços e com o suor do nosso rosto", morreu em Paris no dia 27 de setembro de 1660.

     Foi canonizado pelo Papa Clemente XII em 16 de junho de 1737. Em 12 de maio de 1885 é declarado patrono de todas as obras de caridade da Igreja Católica, por Leão XIII. São Vicente de Paulo é festejado no dia de sua morte, pelos seus filhos e suas filhas espalhados nos quatro cantos do mundo. E por toda a sociedade leiga cristã engajada em cuidar para que seu carisma permaneça sempre vivo pela ação de suas fundações, que florescem, ainda, nos dias de hoje, sempre a serviço dos mais necessitados, doentes e marginalizados. Inspirado por seu amor a Deus e aos pobres, Vicente de Paulo foi o criador de muitas obras de amor e caridade. Sua vida é uma história de doação aos irmãos pobres e de amor a Deus. Existem diversas biografias suas, mas sabemos que nenhuma delas conseguirá descrever com total fidelidade o amor que tinha por seus irmãos necessitados. Muitos acham que a maior virtude de São Vicente é a caridade, mas sua humildade suplantava essa virtude. Sempre buscava o bem da Igreja. São Vicente de Paulo foi o pai dos Pobres e um reformador do clero.

     Nós Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, vivenciamos este amor de Deus junto aos pobres, com nosso trabalho e doação junto aos pequeninos do Centro de Educação Infantil São Vicente de Paulo, na rua Trindade. Somos uma comunidade de quatro Irmãs, e é com alegria e dedicação que acolhemos a todos que vem ao nosso encontro, para conhecer, partilhar e fazer do nosso projeto de amor junto aos preferidos de Deus.

           Irmã Henez Aparecida Murbach
   Filha da Caridade de São Vicente de Paulo