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598409 179757705496220 879263287 nA liturgia e o tempo do  Advento e Natal

 

          Não é possível identificar com exatidão quando e onde teve início o costume de celebrar o Advento. Sabe-se que em varias regiões, entre os séculos IV e VII, já se celebrava o Advento como preparação para o Natal. Em certas regiões, como na Espanha e na antiga França desde o inicio esse tempo era marcado pela prática do jejum e da abstinência de carne. Em Roma pelo fim do século VII, o Advento começa a ser identificado com a preparação para a segunda vinda de Cristo. Com a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, o Advento passou a ser celebrado nos seus dois aspectos: a vinda definitiva do Senhor e a preparação para o Natal, mantendo a tradição  das 4 semanas.

        São Bernardo de Claraval nos seus sermões, nos ensina que existe também a vinda intermediária, ou seja, a vinda do Senhor no cotidiano de nossa história, no dia-a-dia, na vida de cada um e na liturgia celebrada, creio muito nesta vinda presente em cada um nós. Veio, Virá e Vem no hoje de nossa vida!

         Podemos falar de preparação próxima do Natal e da preparação remota. Dois grandes momentos do Advento que nos aproxima desta grande festividade, o nascimento do nosso Salvador. A preparação próxima se concentra no Advento. É tempo de fortes apelos para acolher a vida, promovê-la e defendê-la. A liturgia dos 4 domingos do advento, os cantos próprios desse tempo, as novenas de Natal, os mutirões para um natal sem fome, por isso as diversas campanhas de solidariedade e partilha, são algumas formas de preparação próxima para essa solenidade. O fato de pensar nos outros, de presentearmos as pessoas, de reunirmos em família para celebrar a vida, nos une mais tanto na vida como na liturgia.

            A celebração remota de fato ao longo do ano, a liturgia nos educa e prepara a essa grande solenidade, seguindo os passos da mãe de Jesus que durante nove meses se preparou para a chegada de seu filho. Anunciação do Senhor, visitação à sua prima Isabel, nascimento de São João Batista a sua Imaculada conceição tudo isso leva a crer que ela passou por momentos fortes em sua vida assumindo também todos os sofrimentos e dores agora é tempo de celebrar a vida como dom de Deus.

           Outro aspecto deste tempo são as cores que são importantes na liturgia, cada cor litúrgica tem seu significado. Entrando na Igreja no primeiro domingo do Advento, você vai notar a presença da cor roxa, que não é sinal de tristeza, mas de esperança que o Senhor está para chegar, segundo o grande convite de João Batista que anunciava “Preparem o caminho do Senhor, endireitem suas estradas. Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão aplainadas; as estradas curvas ficarão retas e os caminhos esburacados serão nivelados. E todo homem verá a Salvação de Deus.” (Lc3, 4b-6).

           No terceiro domingo do Advento pode-se usar a cor rosa e seu significado é alegria. A  alegria porque o Senhor está por perto e vem nos trazer a verdadeira Salvação. Luz que vem nos iluminar.

          A coroa do Advento se tornou comum em nossa cultura e ajuda na preparação ao Natal. Ela teve origem na Alemanha entre as famílias protestantes. Porém, a coroa não nasceu de tradições cristãs. Os protestantes adaptaram de costumes pagãos. Lá o Natal é inverno, as horas do sol são poucas e as noites longas. Sendo inverno, tem-se impressão de que tenda a natureza morre. Por isso acendiam-se velas, enfeitadas de ramos de pinho que se mantém verdes também no inverno.

           Esperava-se a luz das velas a chegada da primavera quando a natureza renasce. Enfeitavam a coroa com fitas vermelhas. Os cristãos “batizaram” esse costume. Para eles a quarta vela devia ser rosa para expressar alegria. Na noite de Natal, uma vela branca símbolo de Cristo era acesa e colocada no centro. Como se vê a coroa do Advento nasceu nas casas em família, quando ainda não havia luz elétrica. É interessante resgatar a coroa como algo a ser cultivado em família. Nas igrejas ela tem basicamente 4 velas enfeitadas simbolizando que não tem começo nem fim. A cada domingo, se acende uma vela de forma crescente assim como nós vamos caminhando ao encontro de Jesus que vem nos salvar.

           A liturgia do Natal ela é toda cheia de alegria e festa, pois Jesus nosso Salvador veio nos visitar, por isso devemos celebrar muito bem com nossa família e amigos e não deixar que esta solenidade passe despercebida, nos preocupando apenas com as coisas materiais. Depois que fizemos com nossa comunidade e grupos de famílias as novenas de Natal agora chegou o grande momento de viver com dignidade essa espiritualidade do Natal.

          Neste ano temos um fato curioso, não teremos praticamente a quarta semana do advento, pois celebraremos dia 24 pela manhã o quarto domingo do advento e a noite do dia 24 domingo já começamos a celebrar o Natal com a Santa missa vespertina. Por isso precisamos ter atenção para preparar bem esses momentos fortes da liturgia, pois vai passar muito rápido.

          Que possamos verdadeiramente nos preparar e celebrar bem o Natal do Senhor com nossas famílias e nossas comunidades.

Desejo um feliz e Santo Natal a todos.

Abraços

Pe. José Airton de Oliveira

Pároco

Paróquia São Martinho de Lima

Comissão Litúrgica da Arquidiocese de Curitiba

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