Pastoral da Liturgia

Cantando a Liturgia!

 

Cantar a Liturgia foi um dos temas abordados na 1ª Formação de Canto e Liturgia da nossa arquidiocese ao longo deste ano. De região episcopal em região episcopal, nossa Comissão de Liturgia foi levando consciências e compartilhando experiências sobre o canto na liturgia. Aqui, com você, caro leitor, compartilhamos um pouco deste conteúdo que preparamos de forma muito especial e cuidadosa para os participantes das Formações. E, pedimos que o divulgue, leve para seu grupo, equipe e ministério de canto, não para “engessarmos” nosso canto na liturgia, mas, sobretudo, para valorizarmos o sagrado.

Nós sabemos que o rito da nossa celebração conta a história da salvação de Jesus Cristo. Momentos, orações, cantos, doxologia, leituras, contribuem e constroem essa história dentro do rito no qual estamos inseridos: a missa. Por este motivo, compartilhamos aqui a “Missa – passo a passo”, de forma didática, com foco, principalmente nos cantos. Vale relembrar aqui que: não traremos de imposições, certou ou errado, mas de bom senso.

 

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Canto de Entrada: tem a função de abrir a celebração, promovendo a união da assembleia, introduzindo os fiéis no Ministério do Tempo Litúrgico ou da festividade. Recomenda-se que trate do mesmo “tema” e motivo da celebração.

Saudação (sinal da cruz): aqui inicia-se o rito. Recomenda-se que a letra do canto do Sinal da Cruz seja a mesma de quando rezado: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Ato Penitencial: A assembleia é convidada pelo celebrante a rever suas faltas. Recomenda-se que a letra contenha a oração: Senhor tende Piedade ou Kyrie, eleison e Cristo, tende Piedade ou Christe, eleison. Recomenda-se que o canto seja introspectivo e reflexivo, traduzindo a contrição de quem pede perdão.

Glória: Momento de Louvor. Nele a Igreja – congregada ao Espírito Santo – glorifica a Deus Pai e ao Cordeiro. É também um louvor às três pessoas da Santíssima Trindade. É cantado ou recitado nas missas dominicais, solenidades ou nas festas dos santos. Fique Atento: no Tempo da Quaresma e do Advento não se reza e não se canta o Glória. Também não se diz em dias de semana porque perderia o sentido solene. É importante ressaltar aqui que “há uma proibição explícita de se substituir o texto do hino do Glória por outro texto qualquer (cf. n.53 da IGMR) e o mesmo acontece com o Santo e o Cordeiro de Deus, não sendo lícito substituir os cantos colocados no Ordinário da Missa, (cf. n. 366 da IGMR)”; logo recomenda-se que o Glória seja cantado de acordo com a oração proposta no ordinário da missa.

 

Liturgia da Palavra

1ª Leitura

Salmo: É parte integrante da Liturgia da Palavra. Oferece uma grande importância litúrgica e pastoral, por favorecer a meditação da Palavra de Deus. Fique atento: “É necessário que o salmista seja competente na arte de salmodiar e dotado de pronúncia correta e dicção perfeita,” e que a melodia seja de fácil aprendizado e de forma que contribua com a reflexão.

2ª Leitura

Aclamação ao Evangelho:constitui um rito ou ação por si mesma, por meio da qual a assembleia dos fieis acolhe o Senhor que lhe vai falar no Evangelho, saúda-o e professa sua fé pelo canto. Cantos que não explicitam o “Aleluia”, mas, por interpretação, remetem à Palavra de Deus e sua ação evangelizadora, não se encaixam neste momento, tampouco músicas que remetem à acolhida da Palavra; estas por sua vez devem ser usadas no momento de Entronização da Bíblia - ou entrada da Bíblia - quando proposto pela equipe de liturgia. Fique Atento: o Aleluia é cantado em todos os tempos, exceto na Quaresma. No tempo da Quaresma, no lugar do Aleluia, canta-se o versículo (ou antífona) antes do Evangelho, proposto no lecionário.

 

Liturgia Eucarística

Preparação das Ofertas: no início da liturgia eucarística são levados ao altar o pão e o vinho que se converterão no Corpo e no Sangue de Cristo. Recomenda-se que o canto faça referência às ofertas dos “frutos do trabalho do homem” além dos dons que são colocados a serviço de Deus. Não se refere a um momento de adoração, aqui a proposta é como no canto de Entrada, sentido de procissão.

Santo: É parte própria da Oração Eucarística, proferido ou cantado pela assembleia com o sacerdote antes da consagração. Aqui NÃO se pode perder o sentido original da grande aclamação a Deus, dizendo três vezes “Santo”. Fique atento: “Não é lícito substituir os cantos colocados no Ordinário da Missa, por exemplo, o Santo, o Cordeiro de Deus, por outros cantos”. (IGMR 366);

Rito da Comunhão: sendo a celebração eucarística a ceia pascal, convém que, segundo a ordem do Senhor, o seu Corpo e Sangue sejam recebidos como alimento espiritual pelos fiéis devidamente preparados. Fique Atento: A Instrução Redemptionis Sacramentum, publicação brasileira, diz: Não se execute qualquer canto para dar a paz, mas sem demora se recite o “Cordeiro de Deus”. (cf RS. 72). Porém, é importante ressaltar que o canto do “Cordeiro de Deus” não seja iniciado enquanto os fiéis estão transmitindo a paz, e que ao ser iniciado os mesmos se voltem para o corpo de Cristo no altar. Recomenda-se que a letra deste canto seja voltada para o Pão e o Vinho que se transformaram em Corpo e Sangue de Cristo. Neste momento também são oportunas músicas que se voltem para o tema da celebração ou ainda que tratam de outros temas, desde que apropriados para este tempo litúrgico. Faz-se necessário salientar aqui que em Tempos como Advento e Quaresma, estes cantos possuem temáticas próprias. IMPORTANTE: Após o sacerdote ter feito as purificações, ele volta à cadeira. Recomenda-se que o canto seja finalizado junto ao último fiel que comungar e que após isso, durante algum tempo, ocorra um sagrado silêncio.

Final (Despedida): O último canto da celebração, desprezível por alguns, é de certa forma imprescindível. Sair da celebração, após ter participado do rito da Santa Missa é sair em missão, é ter aptidão e pré disposição para anunciar a Boa Nova! Portanto, o canto de saída tem a missão e a proposta não de ser cantado “corrido” ou com pressa, mas de ser motivador para a missão.

 

No dia 11 de novembro, a Comissão Liturgica da Arquidiocese de Curitiba irá promover o Encontro Arquidiocesano de Formação sobre o Tempo do Advento, Natal e Comum. Convidamos a participar agentes e coordenadores da pastoral litúrgica, canto e outras pessoas que se interessem pelo assunto.

O objetivo do encontro será de aprofundar os conhecimentos litúrgicos da comunidade sobre as celebrações do Advento e do Natal. O evento será no Salão Nobre da Arquidiocese de Curitiba, das 8h às 12h do dia 11 de novembro. A participação é gratuita.

 

É com essa “alegria da missão” que desejamos que nossas celebrações, em nossa arquidiocese, sejam cada vez mais preocupadas com O sagrado, e que, acima de tudo, sejamos instrumentos à serviço de Deus e dos irmãos. Deus o abençoe em sua caminhada e lembre-se, assim como São Marcelinho Champagnat fez, “tornemos Jesus Cristo conhecido e amado”.

João Eduardo Macari Dias

Comissão de Canto e Liturgia – Arquidiocese de Curitiba