Reino de Deus – Discernimento e Vivência

Confira, abaixo, o artigo escrito por Orlando Polidoro Junior, sobre o Reino de Deus:

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O conceito Reino de Deus se inclui na complexidade que envolve todo o mistério do Plano do Criador, que há muitas gerações têm promovido grandes desafios entre exegetas e teólogos.
"A partir da criação, isto é, do mundo e da pessoa humana, o homem pode, só pela razão, conhecer com certeza a Deus como origem e fim do universo e como sumo bem, verdade e beleza infinita" (CCIC cap. 1,3).

A expressão Reino de Deus era bastante utilizada no judaísmo – crendo que, Deus será O Rei verdadeiramente justo. Só Ele poderá realizar o ideal de um rei capaz de proteger os pobres e marginalizados de todo tipo. Por isso, quando Jesus anuncia a chegada do Reino, encontra muitos adeptos. O mesmo ocorreu com os apóstolos após Pentecostes (cf. At 2,1-4), pois confirmava uma expectativa inserida numa longa tradição, construída profeticamente através dos livros do Primeiro Testamento (cf. Lc 24,44; Jo 5,39; 1 Pd 1,10), e a simbolizar com várias figuras (cf. 1 Cor 10,11).

Frequentemente Jesus apresenta o Reino no sentido escatológico – final dos tempos – Parusia (cf. Mc 9,1; Lc 13,28), mas também proclama a grande novidade de que o Reino irrompe e atua já, agora, hoje (cf. Mt 12,28 e paralelos; Lc 4,18-21; Mt 21,31; Lc 17,20-21), esta última citação é muito clara: O Reino já está no meio de vós.

Reino de Deus, ou Reino dos céus?

São variações linguistas (sinônimos), mas que se referem a mesma ideia (cf. Mt 19,23-24).

O termo Reino de Deus está contextualizado em toda a Bíblia, sendo tema principal do Segundo Testamento – centro de toda vida, e de toda pregação de Jesus (cf. Mc 1,15; Mt 4,23; Lc 4,43; 8,1). O Evangelho de Lucas é o que mais apresenta o termo Reino de Deus, mas a referência Reino dos céus consta somente no Evangelho de Mateus.

No conjunto do Segundo Testamento, a expressão Reino de Deus aparece 122 vezes, sendo 99 vezes nos Evangelhos Sinóticos, e destas, 90 pertencem às palavras de Jesus. No Evangelho de São João e nos restantes escritos do Novo Testamento, a expressão tem poucas referências.

Mas o que é o Reino, onde fica?

A palavra é um substantivo, e têm vários sentidos indicativos: pessoas; lugares; sentimentos; vidas; coisas, etc.

Refletindo com sabedoria sobre cada um destes indicativos, compreenderemos que toda a criação faz parte do Reino (cf. Sl 102,19), e sendo assim, aqui, e agora, já somos consagrados como seus integrantes (cf. CIC 916 e 931).

"O Reino de Deus começa com aqueles que se deixarem transformar pelo Seu Amor" (YC 89). "O Reino é totalmente interior. É querer tudo o que Deus quer, é querê-lo em todas as circunstâncias e sem limitações" (YC 520).

Em que consiste o Reino de Deus?

O Reino de Deus implica um mundo novo em que o mal e o sofrimento são vencidos, onde prevalecem a justiça, a paz e alegria no Espírito Santo (cf. Rm 14,17).

"Este Reino manifesta-se lucidamente aos homens na palavra, nas obras e na presença de Cristo." Acolher a palavra de Jesus é "acolher o próprio Reino". O germe e o começo do Reino são o "pequeno rebanho" (Lc 12,32) dos que Jesus veio convocar em torno de si, dos quais ele mesmo é o pastor. Eles constituem a verdadeira família de Jesus. Aos que assim reuniu em torno dele, ensinou uma "maneira de agir" nova e também uma oração própria (CIC 764).

Jesus e o Reino de Deus.

Orígenes caracterizou Jesus como a autobasileia, isto é, como o Reino de Deus em pessoa.

"Este Reino manifesta-se na palavra, nas obras e na presença de Cristo" (LG cap. 1,5). "Cristo estabeleceu o Reino de Deus na terra, manifestou com obras e palavras ao Pai e a Si mesmo, e levou a cabo a Sua obra com a Sua morte, ressurreição, e gloriosa ascensão, e com o envio do Espírito Santo" (DV cap. V, 17).

Para bem compreendermos o Verdadeiro significado da vinda de Jesus e sua benevolência em nossas vidas –, através de seus ensinamentos [...], em diversos momentos sua missão de proclamar o Reino foi intensamente fervorosa, anunciando-o de várias formas: atitudes de misericórdia e de caridade plena ao próximo, curas, milagres, parábolas = convites para entrar no Reino.

Possuem valor especial àquelas referências ao Reino de Deus que, com muita probabilidade, são do próprio Jesus – é o caso do Pai-Nosso (cf. Mt 6,9-15; Lc 11,2-4), e das Bem-Aventuranças (cf. Mt 5,1-12). Na oração do Pai-Nosso, Jesus ensina a orar pedindo a vinda do Reino. Os três primeiros pedidos feitos nessa oração tratam diretamente do Reinado de Deus.

O que importa, acima de tudo, é que Deus seja aceito de verdade, como Deus. Somos convidados a viver uma nova relação com Ele. Todo o resto – o pão, o perdão etc. – é pedido em união com o Reino. Portanto, para Jesus, o elemento prioritário é sempre o Reino de Deus (cf. Mt 6,33).

A igreja e o Reino de Deus.

"Foi do lado de Cristo adormecido na cruz que nasceu o Sacramento admirável de toda a Igreja" (SC cap. 1,5). "A Igreja, que é sal da terra e luz do mundo, é com mais urgência chamada a salvar e a renovar toda a criatura, para que tudo seja instaurado em Cristo, e n'Ele os homens constituam uma só família e um só Povo de Deus" (AG 1,4).

A igreja dentro do contexto, não é a questão primária; a questão fundamental é, na realidade, a que diz respeito à relação do Reino de Deus com Cristo –, daqui depende como nós havemos de compreendê-la.
"A missão da Igreja é a de anunciar e instaurar no meio de todos os povos o Reino de Deus inaugurado por Jesus Cristo. Ela é, na terra, o germe e o início deste Reino salvífico" (CCIC 150).

"Assim como Cristo percorria todas as cidades e aldeias, curando todas as doenças e todas as enfermidades, proclamando o advento do Reino de Deus, do mesmo modo a Igreja, por meio dos seus filhos, estabelece relações com os homens de qualquer condição" (AG cap. II, 12).

Já os próprios Apóstolos em que a Igreja se alicerça, seguindo o exemplo de Cristo, pregaram a palavra da verdade e geraram as igrejas. Aos seus sucessores compete perpetuar esta obra, para que a palavra de Deus se propague rapidamente e seja glorificada (cf. 2 Ts 3,1), e o Reino de Deus seja pregado e estabelecido em toda a terra.

"A Igreja pede a vinda final do Reino de Deus mediante o regresso de Cristo na glória. Mas a Igreja reza, também, para que o Reino de Deus cresça, já hoje, graças à santificação dos homens no Espírito e graças ao seu empenho ao serviço da justiça e da paz, segundo as Bem-Aventuranças. Este pedido é o grito do Espírito e da Esposa: "Vem Senhor Jesus" (Ap 22,20), (CCIC 590).

Como desfrutar este Reino agora?

"Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas" (Mt 6,33). É neste mundo e nesta história que somos chamados a responder à sua interpelação. A meditação-reflexão sobre o Reino só tem sentido fecundo num clima de oração constante à Santíssima Trindade, único caminho capaz de nos levar a reconhecer e a perceber o valor do Reino, tanto no tempo presente, como em sua plenitude na eternidade.

O Reino é "como a semente depositada na terra" (cf. Mt 13,3-9; 13,18-23), que crescerá por seu próprio poder como o grão (cf. Mc 6-29). Já, agora, nós somos as sementes que devem crescer e gerar ótimos frutos. Mas para isso precisamos buscar, confiar, e praticar as revelações da Boa-Nova.

Buscando e confiando incansavelmente em todas as bênçãos e todas as graças que podemos alcançar na Trindade Santa, já nos colocamos em grande unidade para recebermos o dom do Reino. Mas é indispensável que reconheçamos a própria incapacidade de auto salvarmos, como também, que o Reino não virá como resultado do nosso esforço. O Reino é dom, mas é um dom pessoal, que suscita uma resposta, a qual só pode ser traduzida em AMOR (cf. Mt 22,36-40).

O Papa Francisco afirmou que toda lei divina se resume no amor a Deus e ao próximo. O sinal visível com o qual os cristãos testemunham ao mundo o amor de Deus é o amor pelos irmãos. O Papa explicou que o mandamento do amor a Deus e ao próximo não é o primeiro porque está no topo da lista dos mandamentos. Ele disse que Jesus não o coloca no alto, mas no centro, porque é o coração de onde tudo deve começar e retornar, é a referência.

"O Reino de Deus não consiste em palavras, mas em atos" (I Cor 4,20), e quando os praticamos benevolentemente, Deus governa nossos corações, e através do seu Espírito infunde O Seu Reino de Paz e Felicidade. Mesmo diante das tribulações –, não se perturbe, pois nem tema o seu coração; creia em mim e tenha confiança em minha misericórdia (cf. Jo 14,27).

Quando "pela graça", contemplamos que o Reino já se faz presente (cf. Lc 17, 21), e que o Amor-Ágape de Deus é Justiça, Paz e Alegria no Espírito Santo (cf. Rm 14,17) – somente pela fé somos capazes de sentir e de suscitar o quanto devemos viver hoje, gloriosamente, O Reino de Deus.
Sob a moção do Espírito Santo – na PAZ de Cristo Jesus, devemos superabundar o Reino de Deus já!

Referências: Bíblia de Jerusalém. Catecismo da Igreja Católica. Compêndio do Catecismo da Igreja Católica. Imitação de Cristo, Tomás de Kempis. Jesus de Nazaré, Papa Bento XVI. O encontro com Jesus vivo, Alfonso G. Rubio. Vaticano II: Constituições Dei Verbum, Lumem Gentium, Sacrosanctum Concilium. Decreto Ad Gentes. Youcat.

 

POR CRISTO, COM CRISTO, E EM CRISTO.


ORLANDO POLIDORO JUNIOR
Bacharelando em Teologia PUCPR
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