Pastoral do Canto

cantoA Pastoral do Canto Litúrgico tem a função de motivar e animar a comunidade nas celebrações Litúrgicas. Na liturgia, o canto une as pessoas, anima e dá vida à celebração.

O canto e a música na liturgia devem ter bem claro o princípio fundamental formulado pelo Concílio Vaticano II: “...a música sacra será tanto mais santa, quanto mais intimamente estiver ligada à ação litúrgica...” (SC 112c).

O canto litúrgico tem como objetivo preparar todas as músicas, hinos e salmos que são cantados dentro da celebração, de acordo com cada tempo do ano litúrgico vivido pela igreja católica. Dessa forma as músicas acompanham o que diz a liturgia do dia.

Através das músicas, toda a assembleia participativa é convidada a entoar os cantos, pois a pastoral do canto litúrgico precisa exclusivamente da participação plena e ativa do povo de Deus, assim, pode-se dizer também que a assembleia presente na eucaristia é a extensão do coral litúrgico, que por sua vez ministra o povo a cantar fazendo com que o louvor, a adoração, a penitência, a aclamação ou qualquer outro momento cantado se torne uma só voz, um só coro.

Sobre a música na liturgia, o Concílio Vaticano II afirma que, na liturgia, não se canta por cantar. Não se canta para encher espaço ou cobrir possíveis vazios na celebração. Também não se canta por ser o canto bonito e cheio de mensagens, simplesmente. Assim como não existe festa sem canto, sendo a Missa uma grande festa dos filhos e filhas de Deus, antes de tudo, é imprescindível a presença do canto.

Na liturgia, o canto reúne a assembléia, anima e dá vida à celebração. Facilita passar de “uma só voz” a “um só coração”, e, finalmente, a “uma só alma”, como se vê na espiritualidade das comunidades primitivas. Podemos, pela liturgia, unir nossa voz à dos anjos, sendo realmente nosso canto exultação de um povo feliz e redimido.

Na linguagem bíblica e litúrgica, canto se associa ao Espírito Santo, e espírito tem relação com sopro, vento. O Espírito de Deus suscita em nós o “som”, a vibração correta, que nos faz pensar e sentir em uníssono com o próprio Deus.

O canto produz, pois, a harmonia universal. Aliás, a palavra “canto” significa por si “harmonia”. Assim, podemos dizer que a criação, na sua harmonia, é um canto de louvor a Deus, e a liturgia, nas palavras de Paulo VI, é o louvor de Deus, na linguagem de um povo orante.

O canto ainda amplia o sentido das palavras e, por outro lado, sonda o mais profundo da interioridade do ser, cativa e faz brotar os sentimentos mais puros e profundos da alma humana.

O canto, no cumprimento das exigências da liturgia, deve trazer texto, ritmo e melodias que transmitam o mistério de Deus. Portanto, deve trazer as qualidades essenciais ao mistério:

TEOLÓGICA, isto é, com correta formulação doutrinária, no nosso caso, doutrina católica;

ESPIRITUAL, ou seja, capaz de nos elevar e edificar;

BÍBLICA, quer dizer, com aquele espírito próprio da revelação divina e com ele facilmente identificável. Isso tudo associado à qualidade estética, poesia e bom som, sempre com a força evocativa e simbólica, que nos proporciona contemplar o mistério.